sexta-feira, 18 de agosto de 2017

E agora? Qual passe eu compro?

Para muitas das atrações turísticas de NY existem passes que, além de descontos, possibilitam que a gente "fure" as filas. Aliás, isso é normal e totalmente aceito por lá. Pague mais e ganhe benefícios diversos; inclusive evitar as filas. Eu não consegui perceber isso, mas muita gente já disse que só pelo fura-fila já valeria a pena. Na verdade, percebi que algumas vezes a fila de quem tinha passe era maior que a fila regular. E não importa o teu ingresso, em atrações com esquema de segurança (Empire State, Rockfeller Center, etc) tu pode até furar a fila de ingressos mas vai ficar na fila única de segurança. 

Atualmente existem 3 passes: City Pass, New York Pass e Explorer Pass. Não vou entrar em detalhes sobre o Explorer pois pesquisei menos sobre ele e me pareceu pouco atrativo. Caro e sem vantagens sobre os outros. Posso estar errado. 

Comprei o NY Pass, pois tinha planos ambiciosos e ficaria 10 dias na cidade. São mais de 80 atrações disponíveis, sem limite de atrações visitadas. A limitação é temporal: de um a dez dias a partir do primeiro uso. Os preços variam de US$109 a $340. O passe é um cartão magnético que pode ser retirado em alguns pontos, como o Mme. Tussaud (que fica próximo da Penn Station, onde quase todo mundo chega a NY). Fiquei com o passe de 1 semana. 

O City Pass é, provavelmente, o mais utilizado. Ele dá ingresso a 6 das principais atrações e vale por 9 dias a partir do primeiro uso. Ou o C3 Pass, que é uma versão para 3 atrações. O total de atrações disponíveis é 8, sendo possível escolher entre Estátua da Liberdade ou Cruzeiro da Circle Line,  Guggenheim ou o observatório do Rockfeller Center e o Memorial do 11 de Setembro ou o porta-aviões Intrepid. As demais atrações não são opcionais (Empire State, American Museum of NAtural History e Metropolitan Museum). O C3 permite escolher quaisquer 3 dentro dessa lista de 8. Eles custam US$76 e US$122.

Acredito que financeiramente valeu a pena eu ter comprado o passe. Não fiz as contas até porque agora é inútil. E tirando o lado financeiro, vale a pena? Pois então, aí tenho algumas dicas. Primeiro, se tu não conhece a cidade - como eu não conhecia - talvez acabe sentindo falta de tempo para "aproveitar" a cidade. O passe com tempo limitado de uso acaba te colocando na obrigação de visitar as atrações e isso gera uma correria louca (especialmente se a pessoa for meio retardada e quiser fazer 3 coisas diferentes por dia). Programei para fazer duas; raramente uma ou mais de duas. O fato é que duas talvez seja demais, conforme o teu modo de deslocamento, de curtir as atrações e mesmo as pessoas que te acompanham. Eu estava sozinho, então poderia fazer no ritmo que achasse melhor. #Só que não. Os museus são gigantescos e causam grande desgaste físico e mental. Sair de um lugar como o Metropolitan ou o Museu de História Natural e ter que correr para outra atração é cansativo. Se puder jogar algo relaxante, como um cruzeiro da Circle Line, ótimo. Outras atrações aparentemente não desgastantes (como algum dos observatórios) irão se mostrar cansativas. Gente pra caramba, filas, mais horas em pé...

Me parece que hoje eu compraria o City Pass. É bem mais barato e todas as atrações serão visitadas por ti. Os "extras" podem ser pagos no preço normal. Certamente eu teria feito menos coisas, teria cansado menos e sentiria que vivi um pouco mais a cidade. Não que não tenha vivido, pelo contrário. Atribuo essa sensação ao grande desgaste mesmo. Fui numas 14 atrações. Uma ou duas dessas nem usei o passe (o Grand Central Terminal, por exemplo, teria um audio tour incluído; não tive tempo de faze-lo e só passei um tempo na estação - que é linda mesmo). 

Os passes podem ser comprados lá ou pela internet com cartão de crédito. O NY Pass oferece ainda descontos em lojas e restaurantes. Eles enviam por e-mail um guia que também é entregue impresso no momento da retirada. Constam todas as atrações, mapas, restaurantes e lojas (e algumas dicas). Eu não usei, até porque já tinha tudo programado quando comprei o passe. 

Livreto e cartão do NY Pass

Chegando na grande maçã

Aliás, por que Big Apple? Existem muitas explicações. Parece, entretanto, que o apelido começou a ser usado porque a maçã era uma fruta altamente valorizada pelos americanos no séc. XIX. A mais doce e mais bonita das frutas. A maior maçã da árvore americana, claro, era NY. Isso começou no início do séc. XX. Nos anos 70, virou jogada de marketing e consolidou NY como a cidade mais visitada do mundo.

Bueno, cheguei em NY através do aeroporto de Newark, que fica a uns 30km de Manhattan. Táxi custaria uma pequena fortuna. Felizmente, existe um AirTrain que é gratuito para quem sai do aeroporto e percorre os terminais do aeroporto, sendo a última parada na conexão com os trens da NJ Transit. Para pegar o trem em direção à Penn Station - teu ponto central em NY - é preciso comprar o bilhete. Assim como a grande maioria dos transportes públicos por lá, tu vai resolver tua vida lidando com uma máquina que fica ao lado das catracas. Seleciona tua opção, coloca teu dinheiro e vai embora! A tarifa é, salvo engano, de US$ 13. CUIDADO, pois essas máquinas geralmente têm um limite de troco que fica em torno de $10. Se colocar teus 100 dólares querendo conseguir dinheiro trocado, vai perder boa parte deles. Sem ter pra quem chorar.  A máquina também aceita cartão. Não lembro de ter visto algum guichê; talvez seja somente pelas vending machine mesmo.

Vending machine da NJ Transit

Nova York tem duas grandes estações, que ficam bem próximas uma da outra. Na 34th Street fica a Penn (Pennsylvania) Station, de onde partem as diversas linhas de trens (Amtrak, LIRR, NJ Transit). Na 42nd Street fica o Port Authority Bus Terminal, a rodoviária deles. Ambas são gigantescas e ficam a 700m e 300m, respectivamente, da Times Square. O famosíssimo Madison Square Garden fica junto à Penn.
O trajeto deve ter levado uma meia hora do aeroporto até a Penn Station. Chegando lá eu tinha algumas coisas pra fazer, começando pela compra da máquina fotográfica que registraria a viagem. Felizmente, a maior loja de fotografia dos EUA fica a uma (ou duas, dependendo de qual saída tu escolha - e tu vai escolher a mais distante, certo!) ou duas quadras de lá. Na verdade, eu queria primeiramente comprar meu chip da T-Mobile. (O maps informa que tem uma loja do lado oposto ao da B&H, mas não achei)





Me fui pra B&H Photo, loja comandada por judeus ortodoxos e que é uma verdadeira atração turística. Se existe, está à venda lá. Ela ocupa praticamente uma quadra inteira. O atendimento é excelente, os vendedores arriscam outras línguas e tu não carrega nada enquanto compra. Não, eles não fornecem escravos. A loja tem um sistema de esteiras suspensas no teto que, após tu finalizar as compras, vai levar teus produtos diretamente ao caixa. Coisa de louco! Vídeo aqui. 


Eu comprei algumas coisas em diferentes setores, então o que acontece é que assim que tu termina teus pedidos, o vendedor emite a nota que tu irá pagar nos caixas do térreo (foto é no 2º). Se quiser ir a outro setor, o vendedor vai incluir teus pedidos lá. Pode andar com mala lá dentro? Pode. Eles têm guarda-volumes? Têm também. Tem balinhas cortesia em todos os balcões? Ô, claro que sim. 
Fui muito focado nas coisas que queria. Caso tu queira fazer turismo e passear pela loja, coma antes. Vai passar o dia lá dentro. Outro detalhe legal é que os vendedores, além de entenderem do que estão vendendo, não tem empurram nada. Peça um tripé para câmera. Ele vai te mostrar o melhor compatível com tua máquina. Custa mais que a máquina. Seu moço, eu gostaria daquele de 15 dólares. Tem? Tem e ele vai te dar o produto que quiser, sem nenhuma incomodação. 

Na verdade, antes de ir na B&H eu fui na T-Mobile. Acredito que a loja que eu havia procurado tenha mudado para lá, bem na frente da B&H. A T-Mobile é, provavelmente, a operadora preferida dos turistas. Atualmente eles contam com um plano mensal pré-pago, com dados ilimitados, 1000 minutos de ligações para os EUA, SMS e outras coisas. Custa US$ 30. Antes havia  outros planos mais baratos e mais adequados para quem fica menos tempo por lá. Parece que atualmente é só esse. Como eu ficaria por 20 dias, me serviria muito bem. Hoje com aplicativos e, principalmente, google maps, é ferramenta quase fundamental. Chegue na loja, peça o chip, a atendente vai ver se funciona no teu aparelho e pronto! Simples e rápido. Existem dezenas de lojas espalhadas por todos os cantos, facílimo de encontrar uma.

Saindo da B&H eu tinha que passar no museu de cera da Madame Tussaud para pegar meu New York Pass. O passe merece um texto próprio, que vem em seguida.


quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Até sair é difícil...

Sair do Brasil, claro. O aeroporto de Guarulhos é a cara do país: uma zona total. Ok, aeroporto é sempre uma zona. Mas a gente se supera. Desci no terminal 2 e precisava fazer a conexão para Toronto (promoção a gente não olha muito pra cara; pega logo, antes que acabe). Se dependesse de uma senhora gordinha que fazia a guarda de um portão de embarque, teria entrado lá mesmo. Pena que não acharia meu avião, que estava no terminal 3. Precisava, antes, achar a Receita Federal. E quem disse que os trabalhadores do aeroporto sabem onde fica a RF? Depois de muito perguntar, descobri que ficava no terminal 3. Por sorte, mesmo local de onde sairia meu vôo. Os terminais ficam longe, existe um ônibus interno do aeroporto que faz o trajeto. Na subida de acesso ao terminal, cruza pelo ônibus, em alta velocidade, um carrinho de bagagem tripulado por dois guris que devem morar na vizinhança. Tipo carrinho de lomba (ou rolimã, pro resto do Brasil). Só que com o carrinho de malas do aeroporto. Segurança não é nosso forte...
Achar a RF dentro do terminal também foi tarefa complexa. Existem duas salas, uma no térreo e outra no segundo, ambas à esquerda. Vá no térreo. Se for depois do expediente, à direita da Receita existe uma sala sem identificação que mais parece algo só pra funcionários do aeroporto. Não é, vai que é ali mesmo (ou faça como todo mundo e não declare porra nenhuma). Demorei mais de hora pra conseguir fazer isso.
Bueno, depois de quase perder o vôo, me fui pra Toronto. Lá, infelizmente, fizeram eu achar Guarulhos menos ruim. Fila da verificação de bagagem de mão e raio-x. Trocentas pessoas na fila. Trocentas mesmo. UMA equipe pra fiscalizar todo mundo. Gente enlouquecida com medo de perder o vôo (alguns ainda na fila faltando 15 minutos para a decolagem). Profissionais de uma rispidez desnecessária, falando um inglês Bollywoodiano. Aliás, impressionante a quantidade de indianos tanto nas equipes quanto entre os passageiros. Não lembro de ter visto algum branco na equipe do aeroporto. Depois de uma hora, os canadenses perceberam que talvez fosse melhor colocar mais gente pra trabalhar e a fila andou mais rápido.

Pra não dizer que foi tudo ruim, duas coisas são dignas de nota.

Primeiramente, a estrutura americana. Sim, existe uma mega estrutura de ingresso nos EUA. Na verdade, tua entrada nos EUA se dará em Toronto mesmo. Chegando nos USA a passagem será direta, como num vôo doméstico. A imigração americana é maior, mais bem estruturada, mais simpática e eficiente que o pessoal canadense. Em pleno Canadá. Tudo muito fácil e rápido. Se existe dificuldade para entrar nos EUA, eu não vi. Para evitar ser deportado ou preso, evitei tirar fotos.



      


Segundamente, o aeroporto de Toronto tem esta área equipada com iPads e internet free para os passageiros. São diversas mesas, dezenas de equipamentos. Facilita a vida de quem precisa fazer algo, falar com a família ou simplesmente passar o tempo. Fica a dica, aeroportos brasileiros.

O vôo Toronto-NY é muito rápido, então vamos pular pro próximo capítulo que é quando a coisa começa a ficar interessante.


Achei interessante a vista aérea de Toronto. A cidade é toda assim, formada por ruas que parecem labirintos.

sábado, 29 de julho de 2017

Viagem ao centro da Terra




Nova Iorque é,  certamente, a cidade mais universal que existe. Paris é uma concorrente de peso, mas o cinema americano encarregou-se de fazer a gente sentir que conhece NY.  A cidade já apareceu tanto no vídeo que não poderia ser diferente. Seus quase 20 milhões de habitantes, oriundos  de todos os cantos do planeta,  fazem a cidade de Woody Allen,  de Spike Lee e de Scorsese , dos Caça-Fantasmas, de Everybody Hates Chris, de Sex and the City, de Seinfield,  de Desejo de Matar e O Poderoso Chefão,  de Harry & Sally - e de tantos outros - uma verdadeira Babel. A Big Apple já teve o edifício mais alto do mundo  (hoje tem o mais alto do Ocidente),  já teve a maior ponte suspensa do mundo, possui a estátua mais famosa (e maior) do mundo e é o coração financeiro da nação mais rica do mundo. Em NY,  tudo é superlativo. Passei 10 dias lá e pretendo fazer uma espécie de diário de viagem, ainda que retroativo. O plano era ir escrevendo conforme os acontecimentos... mas foi impossível. De qualquer forma, é uma maneira de reviver a viagem e dividi-la com os amigos. Depois de NY, parti Costa Leste abaixo por mais 10 dias. Vamos ver o que consigo recuperar desse tempo todo.

sexta-feira, 5 de agosto de 2016

Antibiblioteca

Por mais que a ideia me agrade, jamais chegarei nos 30 mil livros da biblioteca do falecido -em fevereiro- Umberto Eco. Nem quero, na verdade(também não teria casa pra guardar isso). Obviamente que não penso em termos de número, mas de 2 a 3 mil acho uma biblioteca muito respeitável. Chegarei lá, sem muita sombra de dúvida. 
Gostei muito e vou procurar o livro do Taleb (trecho abaixo), porque esse sentimento acumulador de livros é algo tão óbvio pra quem os tem que é difícil de explicar. Fazia tempo que ninguém me perguntava "mas tu já leu todos esses livros?", mas a resposta é pra mim sempre óbvia: claro que não! Semana passada foi a última vez que me perguntaram. 
Ninguém que tenha uma quantidade um pouco maior de livros (sei lá, de 50 pra cima) consegue ler tudo o que tem. A velocidade entre a compra e a leitura geralmente é incompatível. Minha última compra, por exemplo, foram uns 11. Se estivesse com tempo pra ler tais coisas agora (não estou, tenho outros materiais que preciso ler agora), demoraria pelo menos uns 2 meses. E dificilmente vou demorar mais de 2 meses para comprar mais alguma coisa (o livro do Taleb, por exemplo). E, é claro, a lista de não lidos não para de crescer. Nem irá parar. 
Gostaria de estar com mais tempo para ter uma leitura "não obrigatória". Tenho muitos livros que estou doido pra ler mas não tenho a menor condição de fazê-lo agora. Theodore Dalrymple, Harold Bloom, Malcom Gladwell, Dostoiévski, Cervantes, Homero, Victor Hugo, Roger Scrutton, Érico Veríssimo, Tolstói e mais um monte de gente, uns conhecidos e outros não,  está na fila. Mas não tenho pressa, uma hora eu chego neles. Ou não.
Pra terminar, um filme-entrevista com o falecido intelectual. Aliás, prestem atenção: isto é um intelectual! Não qualquer abobado com amigos na mídia que leu alguns bons livros(ou muitos). Pra ser chamado de Intelectual precisa um tanto mais que isso. No final desta primeira parte tem uma tomada onde ele cruza os diversos cômodos da casa que a biblioteca ocupava. É de escorrer uma gota de suor másculo no canto do olho:

“Umberto Eco pertence a um pequeno grupo de acadêmicos que são enciclopédicos, perceptivos e nada entediantes. Ele é dono de uma biblioteca pessoal enorme (contendo 30 mil livros) e divide os visitantes em duas categorias: aqueles que reagem dizendo, ‘uau! Signore professore dottore Eco, que biblioteca você tem! Quantos desses livros você já leu?’ e aqueles – uma pequena minoria – que entendem que uma biblioteca particular não serve para inflar o ego, mas é uma ferramenta de pesquisa. Os livros já lidos são muito menos valiosos que os não lidos. A biblioteca deveria conter o máximo do que você não conhece conforme seus recursos financeiros, taxas de hipoteca e o atualmente inflexível mercado imobiliário permitem. Você vai acumular mais conhecimento e mais livros conforme envelhece e o crescente número de livros não lidos nas prateleiras olharão para você ameaçadoramente. Na verdade, quanto mais você sabe, maiores são as fileiras de livros não lidos. Vamos chamar essa coleção de livros não lidos de ‘anti-biblioteca’.”

Nassim Nicholas Taleb, em A Lógica do Cisne Negro.




quarta-feira, 13 de julho de 2016

Os Gritos do Silêncio

Esta semana morreu Sydney Schanberg, o jornalista que acompanhou a guerra no Camboja e a tomada do poder pelos comunistas do Khmer Vermelho na década de 70. Khmer Vermelho era o partido comunista do Camboja, liderado por um dos maiores filhos da puta que o mundo já viu, Pol Pot. 

Da mesma maneira ocorrida em todos os países dominados pelo comunismo, lá também havia um exército de tarados assassinos torturadores que foram responsáveis, na melhor das hipóteses, por quase 2 milhões de mortos. Como bons discípulos de Mao(este, sim, concorrente forte ao posto de maior fdp da humanidade), mudaram a língua, os costumes, doutrinaram crianças desde muito cedo e tornaram-nas assassinas. Muita gente morreu de fome, o estudo era proibido (a menos que fosse da cartilha do partido) e a culpa do atraso do país era, claro, dos países desenvolvidos que exploraram os coitados(acho que já ouvi isso antes). De fato, é dito que a maioria dos professores foi assassinada. Gente instruída é um perigo pra revolução! Embora, claro, os líderes geralmente sejam muito bem educados. Pol Pot estudou em Paris. 

Monges budistas foram perseguidos e mortos(60%), e o budismo foi declarado "religião reacionária". Imagens de Buda e templos foram destruídos, depredados ou utilizados como prisões ou depósitos.Um ministro disse "o budismo está morto, agora o terreno está limpo para as fundações de uma cultura revolucionária". Quando o barbudo vagabundo aquele disse que a religião era o ópio do povo, iniciou-se a guerra contra os valores das sociedades. Se os vermelhos seguem pedindo um país laico, mesmo fora da administração pública, não é sem motivo. 

Estrangeiros também foram perseguidos e mortos, especialmente vietnamitas. Ocidentais deveriam ser queimados para não deixar evidências de suas execuções. Idosos, crianças e deficientes físicos morriam porque não resistiam aos trabalhos forçados (ou eram executados por não conseguirem trabalhar).

Quando a gente olha pras atrocidades do comunismo, sempre fica a pergunta: por que se fala tão pouco no assunto? De muitas maneiras, o comunismo foi pior que o nazismo. Quanto tempo perdido, quanto prejuízo para um povo esses caras foram capazes de causar? Aqui ao lado, na Venezuela, estamos vendo situação parecida. No Brasil, quanto dessas ações têm sido executadas ou tentadas? Óbvio que não estou pondo no mesmo nível, são coisas muito distintas. Mas os princípios estão aí para quem quiser ver.

Os Gritos do Silêncio é um filme de 1984, narrando a história de Schanberg no Camboja. É um tanto irônico que um liberal(esquerdista) tenha entrado para a história registrando os massacres comunistas. Algumas declarações dele à época mostram a torta lógica esquerdista, através da qual ele atribui a matança aos EUA, por conta da Guerra do Vietnã, quase que inocentando o Khmer Vermelho. Talvez eu venha a pesquisar para descobrir o que mudou no seu pensamento.

Aproveitando que faz parte da minha coleção, e como forma de homenagem, assisti ontem. Abaixo o trailer e algumas fotos reais da obra dos comunistas.







Crianças do Khmer Vermelho

Mais crianças


Corpos encontrados numa prisão
Campo de trabalhos forçados
Sydney Schanberg


Os Gritos do Silêncio

Esta semana morreu Sydney Schanberg, o jornalista que acompanhou a guerra no Camboja e a tomada do poder pelos comunistas do Khmer Vermelho na década de 70. Khmer Vermelho era o partido comunista do Camboja, liderado por um dos maiores filhos da puta que o mundo já viu, Pol Pot. 

Da mesma maneira ocorrida em todos os países dominados pelo comunismo, lá também havia um exército de tarados assassinos torturadores que foram responsáveis, na melhor das hipóteses, por quase 2 milhões de mortos. Como bons discípulos de Mao(este, sim, concorrente forte ao posto de maior fdp da humanidade), mudaram a língua, os costumes, doutrinaram crianças desde muito cedo e tornaram-nas assassinas. Muita gente morreu de fome, o estudo era proibido (a menos que fosse da cartilha do partido) e a culpa do atraso do país era, claro, dos países desenvolvidos que exploraram os coitados(acho que já ouvi isso antes). De fato, é dito que a maioria dos professores foi assassinada. Gente instruída é um perigo pra revolução! Embora, claro, os líderes geralmente sejam muito bem educados. Pol Pot estudou em Paris. 

Monges budistas foram perseguidos e mortos(60%), e o budismo foi declarado "religião reacionária". Imagens de Buda e templos foram destruídos, depredados ou utilizados como prisões ou depósitos.Um ministro disse "o budismo está morto, agora o terreno está limpo para as fundações de uma cultura revolucionária". Quando o barbudo vagabundo aquele disse que a religião era o ópio do povo, iniciou-se a guerra contra os valores das sociedades. Se os vermelhos seguem pedindo um país laico, mesmo fora da administração pública, não é sem motivo. 

Estrangeiros também foram perseguidos e mortos, especialmente vietnamitas. Ocidentais deveriam ser queimados para não deixar evidências de suas execuções. Idosos, crianças e deficientes físicos morriam porque não resistiam aos trabalhos forçados (ou eram executados por não conseguirem trabalhar).

Quando a gente olha pras atrocidades do comunismo, sempre fica a pergunta: por que se fala tão pouco no assunto? De muitas maneiras, o comunismo foi pior que o nazismo. Quanto tempo perdido, quanto prejuízo para um povo esses caras foram capazes de causar? Aqui ao lado, na Venezuela, estamos vendo situação parecida. No Brasil, quanto dessas ações têm sido executadas ou tentadas? Óbvio que não estou pondo no mesmo nível, são coisas muito distintas. Mas os princípios estão aí para quem quiser ver.

Os Gritos do Silêncio é um filme de 1984, narrando a história de Schanberg no Camboja. Aproveitando que faz parte da minha coleção, e como forma de homenagem, assisti ontem. Abaixo o trailer e algumas fotos reais da obra dos comunistas.







Crianças do Khmer Vermelho

Mais crianças


Corpos encontrados numa prisão
Campo de trabalhos forçados
Sydney Schanberg