sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Civilização

A série tem mais de 40 anos, mas acho que a história do mundo não costuma mudar. Material de altíssima qualidade.

Parece que eu estava certo ao dizer que não vivemos num país civilizado. Ao menos, segundo o conceito apresentado pelo historiador.

Aproveitem, a série completa está na rede, legendada em português.


quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Whore

Então a saudosa Bette Midler disse aquilo que eu penso e tenho dito há algum tempo. Vi que ela falou sobre a Ariana Grande (não sabia quem é a moça, aqui tu pode descobrir aqui). Dona Bette disse não saber quem estaria dizendo para a moça comportar-se como um puta, que ela deveria acreditar em seu talento e que ela não precisava daquilo. Infelizmente, dona Bette está absolutamente certa. Mais infelizmente ainda, é uma regra atual esse tipo de comportamento. A própria Jessie J, que aparece no clipe acima, é outro talento enorme usado de maneira lamentável (na maioria das vezes). O pior é que nossas filhas imitam suas artistas preferidas, é isso que elas consomem. Por isso a gente vê tanta guria recém entrada na adolescência (ou antes disso!) com fotos em redes sociais que nos deixam com vergonha alheia. É difícil falar sobre isso sem parecer um moralista, um velho chato. 
O pior é que tal comportamento tem sido justificado por um feminismo deturpado (se é que existe algum que não o seja); depois de tanto criticarem a mulher-objeto, agora elas querem mostrar a total disponibilidade da própria sexualidade e acabaram virando pouco mais que um pedaço de carne. Algumas, como a lamentável Nicki Minaj (também no clipe), realmente só têm uma bunda grande pra oferecer. Nessa confusão, a gurizada acaba tomando por talentosa gente que só tem estômago forte e respeito próprio fraco. E nivelando com alguns talentos reais, muitas vezes mal conduzidos por empresários que só querem fazer o máximo de grana possível. 
Falando nisso, lembrei da extremamente talentosa Amy Winehouse. Uma guria realmente boa, que teria décadas de uma carreira brilhante, mas que foi usada de maneira nojenta até o último de seus dias. Penso que se fosse empresário dela teria cancelado turnês até ela estar em condições mínimas. Mas eles pouco se importaram com isso, a guria subia ao palco totalmente dopada, um arremedo de ser humano. Vendeu muitos discos e dvd's depois de morta. 
Dona Bette sabe do que fala. Talvez ciente de que a menina poderia receber mal a declaração inicial, remendou para que não houvesse dúvida: aquilo havia sido um conselho de uma puta reformada.

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Coisas mil

Sim, estou em débito com o blog. Só pra variar. Querendo escrever sobre alguns filmes (Lincoln, A Vida dos outros, quem sabe Invictus), sobre maconha, sobre foco e atenção....enfim, sobre um monte de coisas. Nada que disciplina e organização não resolvam.  Enquanto isso, uma tradução (longe de excelente) do poema que dá nome ao filme sobre o Mandela, do poeta vitoriano William Ernest Henley:



INVICTUS
Dentro da noite que me rodeia
Negra como um poço de lado a lado
Agradeço aos deuses que existem
por minha alma indomável
Sob as garras cruéis das circunstâncias
eu não tremo e nem me desespero
Sob os duros golpes do acaso
Minha cabeça sangra, mas continua erguida
Mais além deste lugar de lágrimas e ira,
Jazem os horrores da sombra.
Mas a ameaça dos anos,
Me encontra e me encontrará, sem medo.
Não importa quão estreito o portão
Quão repleta de castigo a sentença,
Eu sou o senhor de meu destino
Eu sou o capitão de minha alma.

Ponerologia???

Tenho que confessar uma certa "impermeabilidade" quando vi comentários sobre o tal livro. Certamente porque anti-comunistas delirantes como o Olavo de Carvalho comentam a obra com quase exclusividade. Também é muito difícil achar qualquer crítica sobre o livro em grandes veículos internacionais. De maneira que achei que a obra teria pouca validade. Não me entendam mal: Olavo de Carvalho sem dúvida é uma pessoa inteligente e culta - extremamente culto, aliás. Mas é doido, o que prejudica muitas de suas opiniões. Não quer dizer que ele só fale bobagem, pelo contrário. Vamos aos fatos.

Descobri que o autor do livro Ponerologia - Psicopatas no Poder, é o psiquiatra polonês Andrew Lobazcewski. Explica-se por aí a preferência dos anti-comunistas - o trabalho dele é baseado em pesquisas realizadas na Polônia comunista e seus dirigentes. Não encontrei muita coisa sobre o autor, a não ser em sites que poderíamos chamar de anti-comunistas acima de qualquer outra coisa. O que parece indicar que a obra é um tanto obscura mesmo, pois alguém assim costuma gerar uma legião de críticos e de pessoas que querem destruir sua reputação. O livro saiu no Brasil pela Vide Editorial, que edita os livros do Olavo de Carvalho e tem em seu catálogo basicamente obras científicas e de alto valor cultural. Outro livro que está na minha lista, Maquiavel Pedagogo, é também editado por eles. O melhor artigo que encontrei sobre o livro está aqui Revolução sob nova perspectiva: Psicopatas no Poder.

Mas por que decidi escrever sobre um livro do qual desconfio? É que fui vendo mais e mais citações sobre o livro, e muita coisa interessante apareceu. como exemplo, o trecho que vai abaixo. Vi também um comentário muito favorável de Philip Zimbardo, autor de O Efeito Lúcifer. Também desconheço o livro, mas conheço o autor. Zimbardo foi o responsável por uma pesquisa realizada em Stanford, onde ele dividiu os alunos em grupos de guardas e prisioneiros de uma prisão fictícia. Passados meros 6 dias, foi terminado o estudo, pois foram surpreendidos pelo fato de os estudantes terem absorvido a condição de guardas e prisioneiros pra valer, tornando-se violentos e sádicos  ou passivos e deprimidos do outro. Assustados com a rápida evolução de quadros de sadismo, crueldade e depressão, a experiência foi encerrada. A experiência mostrou o que muita gente conhece na prática ou pela tevê: qualquer um pode virar um torturador. Tem muita similaridade com o estudo de Stanley Milgram, mas aí já tô fugindo demais do ponto. Depois de comprado e lido, provavelmente escreverei sobre o livro de Lobaczweski(o que deve demorar). Por enquanto, fiquem com o trecho abaixo e me digam se não vale a dica:

“Durante as épocas “boas”, a busca pela verdade torna-se desconfortável porque revela fatos inconvenientes. É melhor pensar sobre coisas mais fáceis e mais agradáveis. A eliminação inconsciente de informações que são, ou aparentam ser, não recomendáveis, torna-se gradualmente um hábito, e a seguir transforma-se em um costume aceito pela sociedade em larga escala. O problema é que qualquer processo de pensamento baseado em informações truncadas, possivelmente não gerará conclusões corretas; ele leva, além disso, a uma substituição subconsciente de premissas inconvenientes por outras mais cômodas, aproximando-se dos limites da psicopatologia. Tais períodos de satisfação para um determinado grupo de pessoas – freqüentemente com raízes em alguma injustiça para outras pessoas ou nações – passa a estrangular a capacidade de consciência individual e da sociedade; fatores subconscientes acabam assumindo um papel decisivo na vida. Tal sociedade, já infectada pelo estado de histeria,[ 21 ] considera qualquer percepção de uma verdade desconfortável como um sinal de grosseria ou falta de educação. O iceberg de J. G. Herder[ 22 ] é mergulhado em um mar de informações inconscientes falsificadas; somente a ponta do iceberg é visível sobre as ondas da vida. A catástrofe fica à espera. Em momentos como esses, a capacidade para o pensamento lógico e disciplinado, nascido durante os tempos difíceis, começa a esvanecer. Quando as comunidades perdem sua capacidade psicológica da razão e de análise moral, os processos de geração do mal são intensificados em todas as escalas sociais, sejam elas individuais ou macrossociais, até que tudo se converta em épocas “ruins”.” 

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Aparência não é tudo

Acho excelente a palestra da Cameron Russel, porque ela aponta problemas evidentes sem cair no discurso da militância anti-racismo. Ela não aponta para malvados culpados pela discriminação, nem para algum tipo de plano maléfico que quer escravizar novamente os negros, nem nada desse tipo. Na verdade, ela nem fala de negros especificamente, fala do óbvio condicionamento criado por questões, creio eu, muito mais mercadológicas que qualquer outra coisa. Alguém investe num determinado padrão que passa a dar dinheiro e....pronto! dali pra frente será mantido o padrão, até que pare de dar dinheiro e "criem" outro que seja rentável. Assim como em outras épocas, há e haverá um determinado "padrão de beleza", assim como há um padrão de comportamento, um padrão de pensamento,etc. Tendo em vista que não somos robôs, acho que todo padrão é contrário à natureza humana. Mas acho também que cabe a nós ampliarmos nossos horizontes, pois é muito fácil pôr a culpa nos meios de comunicação em vez de assumirmos nossa responsabilidade pelo que pensamos. É muito mais fácil culpar a Globo pela baixa qualidade das novelas e por tudo que elas deseducam nossas crianças, que colocar a s crianças para verem outro tipo de programa ou trocaram a tevê por um livro. Sim, o homem é fruto do meio em que vive. Melhor dizendo, também é fruto do meio. Mas como seres dotados de livre arbítrio, podemos escolher, em grande medida, nosso meio. Entre assistir o Faustão, Pânico, um telejornal que só mostra desgraça ou o Big Brother, e assistir um vídeo educativo, conhecer as ideias de um grande pensador ou ler algum clássico da literatura, está a nossa autodeterminação. Eu tenho o poder de escolher. Posso criar o meu padrão. Claro, para isso é preciso que eu entenda o benefício de tais escolhas, assim como é necessária a reflexão (coisa que só o homem é capaz de fazer). Mas estou saindo do ponto e outras questões merecerão psotagens posteriores. Por enquanto, fiquemos com a palestra da super-modelo Cameron Russel(com legendas em português):



quarta-feira, 5 de novembro de 2014

O Profeta

Lembrei d'O Profeta, de Khalil Gibran, e buscando achei este trecho. É um dos tantos maravilhosos que existem no livro, que faz tempo que não pego. Postarei outros, pois a obra inteira é excelente



"Vossos filhos não são vossos filhos,
 são os filhos e as filhas da ânsia da vida por si mesma.
 Vêm através de vós, mas não de vós.
E embora vivam convosco, não vos pertencem.  
Podeis outorgar-lhes vosso amor, mas não vossos pensamentos.  
Porque eles têm seus próprios pensamentos.
Podeis abrigar seus corpos, mas não suas almas;  
Pois suas almas moram na mansão do amanhã, 
que vós não podeis visitar nem mesmo em sonho. 
Podeis esforçar-vos por ser como eles, mas não podem fazê-los como vós,
Porque a vida não anda para trás e não se demora com os dias passados. 
Vós sois os arcos dos quais vossos filhos são arremessados como flechas vivas.
O Arqueiro mira o alvo na senda do infinito
e vos estica com toda a sua força
para que suas flechas se projetem rápido e para longe.
Que vosso encurvamento na mão do Arqueiro seja vossa alegria; 
Pois assim como Ele ama a flecha que voa,
 ama também o arco que permanece estável." 


O Profeta - Khalil Gibran