sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Ponerologia???

Tenho que confessar uma certa "impermeabilidade" quando vi comentários sobre o tal livro. Certamente porque anti-comunistas delirantes como o Olavo de Carvalho comentam a obra com quase exclusividade. Também é muito difícil achar qualquer crítica sobre o livro em grandes veículos internacionais. De maneira que achei que a obra teria pouca validade. Não me entendam mal: Olavo de Carvalho sem dúvida é uma pessoa inteligente e culta - extremamente culto, aliás. Mas é doido, o que prejudica muitas de suas opiniões. Não quer dizer que ele só fale bobagem, pelo contrário. Vamos aos fatos.

Descobri que o autor do livro Ponerologia - Psicopatas no Poder, é o psiquiatra polonês Andrew Lobazcewski. Explica-se por aí a preferência dos anti-comunistas - o trabalho dele é baseado em pesquisas realizadas na Polônia comunista e seus dirigentes. Não encontrei muita coisa sobre o autor, a não ser em sites que poderíamos chamar de anti-comunistas acima de qualquer outra coisa. O que parece indicar que a obra é um tanto obscura mesmo, pois alguém assim costuma gerar uma legião de críticos e de pessoas que querem destruir sua reputação. O livro saiu no Brasil pela Vide Editorial, que edita os livros do Olavo de Carvalho e tem em seu catálogo basicamente obras científicas e de alto valor cultural. Outro livro que está na minha lista, Maquiavel Pedagogo, é também editado por eles. O melhor artigo que encontrei sobre o livro está aqui Revolução sob nova perspectiva: Psicopatas no Poder.

Mas por que decidi escrever sobre um livro do qual desconfio? É que fui vendo mais e mais citações sobre o livro, e muita coisa interessante apareceu. como exemplo, o trecho que vai abaixo. Vi também um comentário muito favorável de Philip Zimbardo, autor de O Efeito Lúcifer. Também desconheço o livro, mas conheço o autor. Zimbardo foi o responsável por uma pesquisa realizada em Stanford, onde ele dividiu os alunos em grupos de guardas e prisioneiros de uma prisão fictícia. Passados meros 6 dias, foi terminado o estudo, pois foram surpreendidos pelo fato de os estudantes terem absorvido a condição de guardas e prisioneiros pra valer, tornando-se violentos e sádicos  ou passivos e deprimidos do outro. Assustados com a rápida evolução de quadros de sadismo, crueldade e depressão, a experiência foi encerrada. A experiência mostrou o que muita gente conhece na prática ou pela tevê: qualquer um pode virar um torturador. Tem muita similaridade com o estudo de Stanley Milgram, mas aí já tô fugindo demais do ponto. Depois de comprado e lido, provavelmente escreverei sobre o livro de Lobaczweski(o que deve demorar). Por enquanto, fiquem com o trecho abaixo e me digam se não vale a dica:

“Durante as épocas “boas”, a busca pela verdade torna-se desconfortável porque revela fatos inconvenientes. É melhor pensar sobre coisas mais fáceis e mais agradáveis. A eliminação inconsciente de informações que são, ou aparentam ser, não recomendáveis, torna-se gradualmente um hábito, e a seguir transforma-se em um costume aceito pela sociedade em larga escala. O problema é que qualquer processo de pensamento baseado em informações truncadas, possivelmente não gerará conclusões corretas; ele leva, além disso, a uma substituição subconsciente de premissas inconvenientes por outras mais cômodas, aproximando-se dos limites da psicopatologia. Tais períodos de satisfação para um determinado grupo de pessoas – freqüentemente com raízes em alguma injustiça para outras pessoas ou nações – passa a estrangular a capacidade de consciência individual e da sociedade; fatores subconscientes acabam assumindo um papel decisivo na vida. Tal sociedade, já infectada pelo estado de histeria,[ 21 ] considera qualquer percepção de uma verdade desconfortável como um sinal de grosseria ou falta de educação. O iceberg de J. G. Herder[ 22 ] é mergulhado em um mar de informações inconscientes falsificadas; somente a ponta do iceberg é visível sobre as ondas da vida. A catástrofe fica à espera. Em momentos como esses, a capacidade para o pensamento lógico e disciplinado, nascido durante os tempos difíceis, começa a esvanecer. Quando as comunidades perdem sua capacidade psicológica da razão e de análise moral, os processos de geração do mal são intensificados em todas as escalas sociais, sejam elas individuais ou macrossociais, até que tudo se converta em épocas “ruins”.” 

Nenhum comentário:

Postar um comentário