sábado, 27 de setembro de 2014

Direita e esquerda

Muito bom debate sobre o que seriam esquerda e direita. Pra quem nunca teve maiores informações, é bastante esclarecedor.



quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Yankees go home!

Sempre que vejo um discurso antiamericano - e tá aí uma coisa que temos sobrando no Brasil - me lembro d'A Vida de Brian, uma obra-prima dos ingleses do Monty Python. Depois de ver que nossa anta, digo, presidenta, criticou os ataques americanos ao Estado Islâmico (aquele povo ponderado que arranca cabeças quando não tem nada melhor pra fazer), lembrei do Brian. Se A Vida de Brian não é a melhor comédia de todos os tempos, tenho certeza de que deveria figurar na lista das 3 mais. Sempre. Brian nasce numa manjedoura, no mesmo dia e hora, e ao lado daquela onde nasceu Jesus Cristo. Desde o nascimento ele é confundido com o messias, e por isso é perseguido desde então. Humor inteligente desde 1979. Pois bem, mas falávamos dos yankees. Sim, eu também já falei um monte de bobagens, mesmo ouvindo rock, vendo filmes de Hollywood, comendo no McDonalds e usando a internet (com exceção do lanche horrível, sigo fazendo todas as outras coisas). A campanha permanente de depreciar os americanos-imperialistas-capitalistas-filhos-da-mãe é muito eficaz. Não que eles sejam perfeitos; as críticas têm lá o seu lugar. O problema é quando a coisa passa dos limites do ridículo, e tu tens um esquerda caviar(achei muito adequada a nomeclatura) teclando do seu iPhone, acessando o Facebook pela internet, usando seu Nike e ouvindo hip-hop(que é tão ruim ou pior que o funk carioca).
Eis que o Brian, como contemporâneo de Jesus, vive o início da dominação romana, com toda a revolta dos dominados. Diversos grupos revolucionários, que pretendem atacar os romanos, aparecem no filme. Em uma das reuniões, e aí reside a lembrança que me fez escrever, um dos líderes (tal e qual a Luciana Genro ou qualquer outro abobado líder esquerdista) pergunta: O QUE NOS DERAM OS ROMANOS? Abaixo o vídeo (não achei dublado ou legendado) e a transcrição do diálogo. Qualquer semelhança é mera coincidência:






— Já nos sangraram, os bastardos. Já nos tomaram tudo o que tínhamos. E não só de nós. Dos nossos pais e dos pais dos nossos pais. E dos pais dos pais dos nossos pais. Sim…
 E dos pais dos pais dos pais dos pais…
 Certo, Stam. Não precisa insistir. E o que eles nos deram em troca?
 O aqueduto.
 Como?
 O aqueduto.
 Oh, sim, sim. Eles nos deram isso, é verdade.
 E o saneamento.
 Ah, é, saneamento, Reg! Você lembra como a cidade era…
 Certo. Eu concedo que o aqueduto e o saneamento são duas coisas que os romanos fizeram.
 E as estradas.
 Bem, e obviamente as estradas. Nem era preciso falar disso. 
Mas fora o saneamento, o aqueduto e as estradas…
 A irrigação.
 A medicina.
 A educação.
 A Saúde.
 Tudo bem, já chega!
 E o vinho.
 Ah, é… É verdade. Isso é algo que vai nos fazer falta se os romanos forem embora, Reg…
 Casas de banho públicas.
 E agora é seguro andar nas ruas à noite.
 Ah, sim, os romanos certamente sabem manter a ordem. Vamos reconhecer: são os únicos que poderiam fazer isso num lugar como esse.
 Tudo bem, tudo bem, mas fora o saneamento, a medicina, a educação, o vinho, a ordem pública, a irrigação, as estradas, o sistema de água e a saúde pública, o que os romanos fizeram por nós?
 Trouxeram a paz!
 O quê? Oh… Paz? Sim… Cale-se!

terça-feira, 23 de setembro de 2014

O Coimbra, novamente

Pode parecer mera preguiça, e um pouco é. Mas que posso fazer se as duas colunas foram excelentes? Com a cara e a coragem, o David tem virado uma voz que vai contra a manada do politicamente correto e aponta o óbvio. Ainda tem brasileiros que são homens de verdade, felizmente.

Homens de verdade

Os valores masculinos estão em extinção. Disso eu já sabia. E, antes que os vigilantes ideológicos saltem feito salmões de suas redes sociais, corro a ressaltar: valores masculinos não têm nada a ver com homofobia ou machismo. Um homem de verdade pode ser homossexual. Um homem de verdade defende as mulheres quando outros, homens ou mulheres, tentam diminuí-las.
Feita essa ressalva em homenagem aos chatolas da nação, prossigo: os valores masculinos estão em extinção. Ser homem, um dia, significou ser leal, inclusive aos seus inimigos. Significou enfrentar as contingências da vida sem se lamuriar. Significou ter respeito pela privacidade e pela liberdade dos outros, mesmo que você não fizesse o que os outros faziam com a sua privacidade e a sua liberdade.
O homem resistia de espinha ereta. O homem não era sórdido, traiçoeiro, fofoqueiro, manhoso. Ser homem era adjetivo. “Seja homem!”, alguém dizia, e você sabia que tinha de se recompor, você sabia que estava à beira do fiasco.
Isso começou quando esses caras passaram a usar brinco. Sim, eu sei que lutadores de MMA usam brinco. Mas quem diz que um sujeito, por ser mais forte do que os outros, é homem de verdade? O Stephen Hawking não dá em ninguém, e lá está um homem de verdade.
Mas, como dizia, os caras passaram a usar brinco. Lembro quando o Celso Roth mandou um jogador dele tirar o brinco. Ninguém entendeu. Diziam que o comportamento do Roth era anacrônico, ultrapassado. Nada disso. Celso Roth estava tentando fazer um time com homens de verdade. Grande Celso Roth. Sabe das coisas.
Em 1977, o Grêmio montou um time com homens de verdade. O símbolo desse time era o zagueiro Oberdan, que um dia declarou:
— Quando esse time for campeão, ninguém vai chorar.
Aquele time foi campeão. E ninguém chorou.
Aquele time foi campeão contra outro time de homens de verdade. O Inter dos anos 70 era feito por jogadores que andavam com o queixo erguido. Não por acaso, o símbolo daquele Inter era outro zagueiro: Dom Elias Figueroa.
Lembrar de Figueroa faz pensar como o futebol se efeminou de lá para cá. Figueroa quebrava narizes de centroavantes a cotoveladas, Tarciso e Palhinha que o digam. Era errado, todo mundo achava errado, todo mundo continua achando errado e, não, florzinhas, não: não é por isso que Figueroa era um homem de verdade. A violência não faz de ninguém homem de verdade, ao contrário. No caso de Figueroa, o que ele fazia era intimidar o adversário.
Todo mundo sabia disso, inclusive o adversário. Ao tentar a intimidação, Figueroa corria riscos, e os assumia. Podia ser expulso, o que seria ruim. Ou podia encontrar um adversário que não se intimidasse, o que seria pior. Joãozinho, por exemplo, não se intimidava: enfiava a bola goela abaixo do Figueroa de tanto driblá-lo e, assim, o Cruzeiro venceu a maioria dos inesquecíveis duelos dos anos 70 contra o Inter.
Joãozinho era homem de verdade. Os melhores atacantes sabiam ser homens de verdade: Romário nunca reclamou de zagueiro; enfrentou-os. Pelé, se tentassem se meter com ele, teriam troco em gols.
Hoje, mesmo os zagueiros são manhosos. Felipão está tentando ensinar a seus zagueiros como se comportar dentro da grande área: sem queixas, sem hesitações, sem tergiversar, sem brincos na orelha. Como homens de verdade.
Desses que não existem mais.

O Aranha e os bundinhas - David Coimbra

Vocês acham MESMO que o que aconteceu na Arena quinta-feira passada foi racismo? Vocês acham MESMO que o Aranha foi vaiado e xingado por ser negro? Ou faz parte da natural tendência autoritária de vocês de fazer vigilância moral? Se vocês acham mesmo, vou explicar por que estão equivocados.
É o seguinte: o Aranha não foi vaiado por ser negro. O Aranha foi vaiado porque se tornou protagonista de um episódio que prejudicou o Grêmio. Trata-se de uma regra bem simples. Anote aí: “Um torcedor de futebol, quando está no estádio torcendo pelo seu time, xinga, vaia, ofende e insulta todo e qualquer indivíduo, ideia ou instituição que, de alguma forma, tenha feito ou queira fazer algo que ele, torcedor, julgue que seja negativo para o seu time, esteja certo ou errado este indivíduo, essa ideia ou essa instituição”.
Para vocês compreenderem melhor, imaginem o seguinte: se a Madre Tereza de Calcutá entrar em campo com a camisa do Inter, será vaiada pelos gremistas; se Ghandi, Mandela e o iluminado Buda entrarem em campo com a camisa do Grêmio, serão vaiados pelos colorados. Não interessa que princípios a pessoa esteja defendendo, se não estiver defendendo o clube do torcedor.
Assim, se vocês, intelectuais paladinos da luta contra os preconceitos no Brasil, consideram o Aranha o nosso Martin Luther King e o veneram, o torcedor do Grêmio está pouco se lixando para isso, mas não pelo Aranha ser o Martin Luther debaixo das traves, não por ele ser negro, APENAS PORQUE ELE FOI O PRINCIPAL PERSONAGEM DE UMA OCORRÊNCIA QUE TIROU O GRÊMIO DE UMA COMPETIÇÃO.
Entendeu?
Cara, o Brasil virou um país de bundas moles.

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Vamos estudar

Cheguei a escrever quase todo o texto sobre a filha do governador pinóquio, aquele, que criou o piso do magistério mas nunca o pagou. Aí cansei. Felizmente, fizeram um vídeo dizendo quase tudo que eu queria (e um monte de coisas que eu nem falaria). Assistam aí:


sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Mi Buenos Aires querido...

...cada dia mais vai pro brejo. Ontem foi aprovada a tal "Lei de abastecimento", que nada mais é que o último ato de um governo com caráter socialista, totalmente na prática a partir de agora. A lei dá poderes ao Executivo para definir limites de lucro, de preço, de cotas de produção, dá poderes para o governo suspender ou mesmo fechar estabelecimentos. A Venezuela começou da mesmíssima maneira, e sabemos no que deu. Por que o governo fez isso? Acredito que, principalmente, para passar para o povo a impressão de que a culpa da inflação alta é do empresariado. Eles têm passado a imagem de que os preços altos são culpa da ganância dos empresários e, limitando os lucros, eles resolveriam isso. É fácil, muito mais fácil que explicar pro povo os fundamentos da economia. As reiteradas ações do governo têm afastado os investimentos da Argentina (e a bronca com o dólar é uma das principais) e, agora, é o ato final para que os empresários fujam da Argentina. Quem vai arriscar seu patrimônio para ter uma margem de lucro definida arbitrariamente pelo governo?

Nesse contexto, muitas coisas que acontecem no Brasil podem ficar mais claras. A atualmente tão falada autonomia do BC, que o governo dos ladrões teima em dizer que é algo demoníaco, é um exemplo. Los hermanos tinham um BC autônomo. O que aconteceu? Quando, em 2010, o então presidente do banco começou a dificultar o uso das reservas pelo governo, a ditadora deu um jeito de acabar com a autonomia. Agora o BC serve aos descalabros do governo, com reservas cada dia mais baixas, emissão contínua de dinheiro(inflação, no português), descontrole fiscal. O atual presidente do banco tem criticado sistematicamente as ações do governo, mostrando que tais ações implicam a impossibilidade de recolocar a economia nos eixos. De maneira que o gurizinho da Kirchner, o tal Kicillof, quer derrubar ele imediatamente. A briga está feia, pois o presidente do BC tem feito críticas severas e abertas ao ministro da Economia, inclusive em reuniões com empresários, banqueiros e políticos. 

E assim nós vamos, rumo a uma América Latina bolivariana por inteiro.

terça-feira, 16 de setembro de 2014

Lupicínio

100 anos do nascimento de Lupicínio Rodrigues. Lupi, para os porto alegrenses. O inventor da dor de cotovelo. Boêmio acima de tudo:

 "Eu não sou músico, não sou compositor, não sou cantor, não sou nada. Eu sou boêmio"

Minúscula homenagem, letra e música de "Não sou de reclamar":


Eu não sou de reclamar,

Eu não sou

Mas o que estou sofrendo

É demais
Nos lugares onde eu vou
Quem conhece quem eu sou
Diz que sou o mais covarde dos mortais.
E queriam que eu matasse
O crime não compensa
Só Deus dá a sentença 
ao pecador.
Se eu matasse não podia esperar
Ver algum dia
As lágrima cruéis do meu amor.
Se queriam que eu matasse
O crime não compensa
Só Deus dá a sentença 
ao pecador.


Mais do mesmo

A mesma tática de sempre, esculhambar os opositores, não importa como. A nova campanha dos mafiosos externa aquilo que já estava visto há muito tempo. Quem critica, apontando o óbvio, é pessimista. Pra ser gente boa, tem que acreditar. Pior que muita gente ainda acredita. Obviamente teremos Olimpíadas, que serão outro fiasco em termos de organização, uso do dinheiro público e ganhos para o povo. Em Porto Alegre, somente três obras de mobilidade urbana foram entregues na Copa: duplicação da Beira-Rio e Padre Cacique, viaduto da rodoviária e linha do aeromóvel. O aeromóvel custou R$ 40 milhões para levar ninguém, de nada a lugar nenhum. O viaduto da rodoviária, considerado entregue, tinha fitas e cones sinalizando uma obra em andamento, de tal maneira que até hoje as obras continuam. Não é estética, tem retroescavadeira no local. Na Beira-Rio, o viaduto aquele que certificaram ser seguro, está novamente passando por reparos; dizem ser estética. Na Padre Cacique, todo o corredor de ônibus será desmanchado e refeito. As demais obras prometidas estão longe de serem entregues. Óbvio que a responsabilidade só é parcialmente do governo federal, pois o município é quem responde pela execução de quase tudo. Independente disso, quem mais ganha fazendo propaganda dos grandes avanços que nunca vieram foi o governo federal. Os estádios milionários, alguns dos quais sem utilidade alguma, já começam a apresentar defeitos. Mas vamos acreditar, companheiros, que 12 anos não foram suficientes pra abalar nossa fé:


segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Galão d'água - Martha Medeiros

Reproduzo o relato que minha filha recebeu pelo whatsapp de uma garota brasileira que mora no Japão: Ontem veio um homem aqui e deixou um galão dágua na frente da minha porta. Disse que durante a madrugada eles fariam uma vistoria nos encanamentos de água do bairro e por isso estavam passando para avisar, deixar o galão e pedir desculpas por terem que desligar o registro de água por algumas horas. 

Eu disse para ele que não precisava deixar a água, afinal, estaríamos dormindo nesse horário, mas ele respondeu: Você paga suas contas todos os meses e nós temos obrigação de não deixar você sem água nem por um minuto. E ainda disse: Se precisar de mais, pode pedir. E assim seguiu a distribuir nas outras casas. Durante a madrugada, olhei pela janela e havia um grupo trabalhando nas ruas em silêncio. Hoje vieram novamente, casa por casa, só para agradecer. 

Pois é. Não é assim que deveria ser tudo na vida? Decência, responsabilidade e educação: por que é tão raro, tão complicado? A simplicidade da cena: um galão d’água deixado de porta em porta para o caso de os moradores terem alguma eventual necessidade às duas horas da manhã, às três horas da manhã. 

Não é caridade, e sim direito do cidadão que paga taxas e impostos. Eu não deveria me comover com isso, mas me comovo, porque a gente cumpre com os compromissos como qualquer japonês, qualquer sueco, qualquer canadense, mas onde está a contrapartida? 

Acho que isso explica nossa desesperança de que uma eleição mude alguma coisa. Já não acreditamos que um candidato consiga não se deixar corromper pelo poder, que possa governar sem dever favores para outros partidos, que solucione as mazelas do povo em detrimento das negociatas de gabinete. Política passou a ter um sentido desvirtuado. 

Ninguém obriga um homem ou uma mulher a se candidatar a um cargo público. Se ele se oferece para a missão de governar, deveria fazer isso unicamente por seu espírito altruísta. Mas soa como piada. Altruísmo na política brasileira? Tem graça.

Um galão d’água na porta. Um serviço de atendimento ao consumidor que funcione de forma fácil. Um policial em cada esquina. Nota fiscal entregue em todas as transações comerciais. Lixeiras por toda parte. Ruas bem sinalizadas. Transporte farto, barato e que cumpra horários. Hospitais com vagas dia e noite. Escolas eficientes. Confiança em vez de burocracia. Sinceridade em vez de enrolação. Agilidade em vez de empurrar com a barriga. Se todo mundo concorda que é assim que tem que ser, por que não acontece, quem emperra? 

Não é só culpa de quem governa, mas dos governados também. Viciados em retórica, seduzidos por vantagens exclusivas e não coletivas, sempre nos perguntando “como posso faturar com essa situação?”, não permitimos que o Brasil se moralize e avance. 

Galão d’água na porta de casa? Só com um troquinho por fora, meu irmão.

O menino que domou o vento

Algum tempo atrás assisti ao seguinte vídeo e, claro, achei maravilhoso. Tanto que comprei o livro "O menino que descobriu o vento", escrito pelo William Kamkwamba e pelo jornalista Bryan Mealer. Ainda não li, e o livro está ali na estante me olhando há alguns meses. Voltando ao vídeo. É bom para que a gente faça nossa autocrítica e também para recarregar nossa baterias de esperança no ser humano. Acho a natureza fantástica, e o ser humano é a mais fantástica das coisas da natureza.



Robin Hood ao contrário

Matéria do Estadão:
Custo dos subsídios do Tesouro ao BNDES chega a R$ 23 bilhões este ano

Comentários de Paulo Roberto Almeida:
Os companheiros dizem querer fazer justiça social. Fazem, só que ao contrário. Dão umas migalhas para os pobres, não para tirá-los da pobreza, mas para fazer um curral eleitoral e deixá-los eternamente dependentes de sua demagogia. E dão um bolão de dinheiro para quem já é rico, como os industriais, por exemplo.
Meus comentários:
Assim fica mais fácil explicar os números maravilhosos mostrados pelo BNDES. O que ocorre é o seguinte: o Tesouro (ou seja, nosso dinheiro) dá dinheiro para o BNDES financiar as grandes empresas e obras (como o Porto de Mariel) a condições bem mais favoráveis. Está feito o círculo vicioso, onde empresas conseguem excelentes condições sem maiores esforços, a não ser ficarem compromissadas com o governo paternalista. Embora sejam coisas distintas, é por isso eles pregam tanto contra a independência do Banco Central, pois com um BC preocupado em fazer aquilo que deveria, em vez de fazer aquilo que é conveniente para o governo do momento, a campanha eleitoral ficaria mais complicada.

A matéria da EBC é bem didática sobre a questão:
http://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2014-04/fds-renegociacao-de-dividas-do-bndes-custara-r-92-bilhoes-ao-tesouro

sábado, 13 de setembro de 2014

Ser ou não ser, eis a questão

Há pouco disse que não sou fã do Pondé. Mas já estou quase sendo. Sempre concordei com muitas de suas ideias, mas além de ser um tanto pedante (como todo "filósofo") acho ele meio sei lá. Sabe sei lá? Pois é. Enfim, ótima entrevista dele para a Zero Hora de amanhã (coisas que só o RS faz pra você). Bem inclinado a comprar o livro. Divirtam-se.


http://zh.clicrbs.com.br/rs/noticias/noticia/2014/09/luiz-felipe-ponde-o-mundo-e-muito-mais-iraque-do-que-oslo-4597853.html

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Sexta-feira

É sexta, mas o espírito é o mesmo do sábado. Bom final de semana todos.


Tinha que ser um gringo

De fato, não acredito em uma teoria da conspiração tão ampla e milimetricamente planejada como fazem alguns (tipo o maluco do Olavo de Carvalho). Em geral, as pessoas caminham para onde bem querem, embora sejam influenciadas na caminhada. O que se faz, na maioria das vezes e desde sempre, é alcançar o fósforo pra quem já queria mesmo atear fogo. Talvez eu diga isso só como conforto, pra não ficar tão assustado. No entanto, é bastante difícil não associar os acontecimentos atuais às ideias do comunista italiano Antonio Gramsci. Os esquerdinhas que nunca leram vão dizer que não tem nada a ver, obviamente. Por isso mesmo, resolvi fazer citações tiradas do site do Partido comunista Brasileiro, pra não dizerem que é coisa da direita. Pra quem não sabe, Gramsci fundou o partido comunista italiano e é o ideólogo fundamental de todos os partidos de esquerda. A "Hegemonia Cultural" é o grande legado dele para os partidos que almejam o poder; suas teorias foram criadas basicamente no período em que esteve preso pelo regime fascista (talvez venha daí a crença esquerdista de que eles lutam pela liberdade, quando na verdade eles lutavam era pelo poder, e a mania de atribuírem a todos que discordam deles a qualidade de "fascistas"). São suas "Memórias do Cárcere". Pois bem, sendo extremamente simplista, Gramsci observou que a tomada do poder pela força não era mais algo viável: além de o próprio processo ser por demais desgastante, após a conquista o povo se mostrava contrário ao regime. Foi então que ele fundamentou sua hegemonia cultural, que prega a conversão de corações e mentes à ideologia, preferencialmente antes do poder partidário, para que as pessoas acabassem por desejar o regime. Para isso, é fundamental destruir a cultura tradicional:

"A postura revolucionária exige permanente embate contra as filosofias tradicionais, implícitas, de forma desorganizada e fragmentada no senso comum, mas a elaboração das novas idéias hegemônicas não pode prescindir de tudo aquilo que é próprio do senso comum, pois este traduz “espontaneamente a filosofia das multidões”. É preciso garantir o vínculo permanente da filosofia da práxis com as aspirações populares, de forma a que as novas ideias se enraízem na consciência do povo com a mesma força das crenças tradicionais."

Por cultura tradicional entenda-se todos os valores historicamente construídos, pois eles seriam fruto dos valores da classe hegemônica e, portanto, indesejáveis. Eu ou tu, uma vez que não somos da classe dominante, não temos ideias próprias. Nossas ideias são fruto da lógica que sustenta o poder dos burgueses. É verdade? De fato, até é. Talvez sempre seja. É ruim? Não; ao menos, não é intrinsecamente ruim. A igualdade entre as pessoas é uma invenção teórica. Nunca fomos iguais, em lugar algum, em tempo algum. Nem irmãos gêmeos são iguais, criados pelas mesmas pessoas, com os mesmos valores, com as mesmas condições financeiras. Me parece que a busca pela igualdade é mais um esforço para que não exista o diferente. Autoritários não suportam aquilo que é diferente. Frustrados também não.

Voltando ao ponto: Gramsci defendia ainda uma mudança fundamental, sem a qual o poder dos corações e mentes não teria maior utilidade. É preciso reduzir permanentemente a estrutura institucional. Instituições e leis (criadas para manter o domínio vigente, blablabla) devem ceder espaço a uma participação popular progressivamente maior. O povo, que a essa altura já pensa de maneira homogênea, é quem deve decidir. Por isso partidos de esquerda defendem tanto os "conselhos populares" e minam continuamente as instituições existentes.
A hegemonia cultural é conseguida através de longa e ampla disseminação dos valores marxistas, das mais variadas formas. Basicamente, eles buscam desconstruir tudo, em todas as frentes possíveis. Aí surge a figura do intelectual-orgânico:

"Para a construção desta concepção de mundo crítica, coerente e unitária, assume papel decisivo a ação dos intelectuais de novo tipo, conforme propõe Gramsci. Ao contrário do intelectual tradicional, um profissional da eloqüência e do discurso, a exercer o monopólio do saber na sociedade, o novo intelectual, o intelectual orgânico, deve portar-se como um organizador da vontade coletiva, um construtor da nova hegemonia, um “persuasor permanente”, que necessita garantir sua inserção ativa e contínua na vida prática. Comprometido em elaborar e difundir a visão de mundo a ser universalizada, ou seja, a ser abraçada como verdade pelos agentes sociais, sua função é essencial no estabelecimento do consenso “espontâneo” a ser dado pelos indivíduos e grupos à orientação da facção hegemônica para a vida social, procedimento necessário para a conquista e a posterior conservação do poder revolucionário."

E aí chegamos ao motivo deste post. Tenho visto claramente, há bastante tempo, que uma quantidade enorme de intelectuais-orgânicos, no sentido gramsciano mesmo, tomou conta dos meios de comunicação. Nossos formadores de opinião. Para mim, não há no RS maior e mais covarde que o sr. Juremir Machado da Silva, colunista do Correio do Povo. Hoje o vivente escreveu o seguinte:

"Ninguém tem direito de não gostar de negros. Ninguém tem o direito de impedir a entrada de negros em qualquer lugar. Até pouco tempo, no entanto, isso acontecia em muitos lugares, inclusive em clubes tradicionais e tradicionalistas de nossas cidades. Eu vi. Eu estive lá. Eu acompanhei. Passei a infância e a adolescência vendo isso acontecer. Se o juiz de uma cidade pede emprestado um local para organizar um casamento coletivo e é atendido, o dono do local não tem o direito de estabelecer restrições que contrariem a lei ou se baseiem em preconceitos raciais, religiosos, sexuais, etc. O dono do salão não pode dizer ao juiz: “Empresto o salão desde que não tenha casamento de negro”. Alguém defenderia o contrário atualmente em nome de uma tradição? Não. Ninguém tem o direito de não gostar de negros. Ninguém tem o direito de não gostar de homossexuais. Eu posso organizar um clube que só aceite comedores de sorvete de morango. Isso não é socialmente sentido como discriminatório. Mas legalmente não se sustentaria por muito tempo."

Em primeiro lugar, é de uma arrogância imensa. Ele, ser superior, define o que pode e o que não pode ser feito. Não posso gostar de negros? Claro que posso! Posso não gostar de negros, de homossexuais, de gordos, de petistas. Posso até não gostar de ninguém que não seja eu. Gosto do que eu quiser. Não posso desrespeitar, não posso ofender, não posso prejudicar por conta das minhas preferências. São coisas absolutamente distintas. Não bastasse isso, ele ainda usa de uma covardia intelectual monstruosa, ao associar o acontecido no CTG ao racismo. Acaso tinha algum negro na estória? Não. Por que então ele usou isso como argumento? Porque a maioria esmagadora é contra o racismo. Ao associar racismo com a contrariedade ao casamento gay no CTG ele acaba por induzir as pessoas a serem também a favor do tal casamento. E assim vão, aos poucos, formando a hegemonia cultural.

No fundo, o que essa gente quer é a promessa dourada do socialismo: poder para todos. Gramsci disse, sobre sua escola unitária: "“A tendência democrática de escola não pode consistir apenas em que um operário manual se torne qualificado, mas em que cada cidadão possa se tornar governante”. É o sonho dos frustrados, a promessa de serem eles também governantes. De serem os poderosos. Vemos hoje isso em toda a sociedade, onde crianças se sentem tão poderosas quanto seus pais. Não sabem limpar a bunda, nunca produziram nada para seu próprio sustento, mas enchem a boca pra dizer "eu tenho direito!" Vemos quando um vadio qualquer, que preferiu jogar bola a ir pro colégio, que prefere ficar no boteco a trabalhar todo dia, que gasta em festa em vez de investir na educação -enquanto nós e muitos outros com origem muito mais humilde estávamos trabalhando e estudando, dando duro e criando nosso próprio progresso- encher a boca e dizer: "eu quero meus direitos!" Não somos todos iguais? Não é isso que pregam as esquerdas? Se somos todos iguais, direitos iguais. O problema é que a riqueza e os meios para garantir todo e qualquer direito não crescem em árvores, não têm geração espontânea. Precisam ser criados por alguém. Mas isso eles não dizem. Não ajudaria a alcançar o objetivo deles.

"Tá, mas então, no fim das contas, tu tá querendo dizer que acredita que tem uma revolução comunista em andamento?" Sim e não. Sim, porque os métodos usados são os mesmos, pelas mesmas pessoas. E eles não estão mais criando isso, já foi criado, está sendo finalizado. Não, porque ninguém mais quer ser governante de um país comunista. Já viram que não dá certo. O que eles querem é o poder, como sempre.

Queria encerrar lembrando que as citações são do próprio Gramsci ou do PCB (http://pcb.org.br/fdr/index.php?option=com_content&view=article&id=8:antonio-gramsci-e-a-construcao-da-nova-hegemonia&catid=2:artigos). Para quem acha que PCB e PT são coisas totalmente distintas, deixe de preguiça é vá estudar um pouco.

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Não precisa ser genial...

...pra saber que essa idiotice de casamento gay em CTG terminaria em violência. O CTG de Livramento, obrigado por uma juíza politicamente correta, foi incendiado por alguém(ou alguns) que querem evitar a todo custo o casamento homossexual em suas dependências. É o que costuma acontecer quando a razão dá lugar à estupidez. Estupidez de quem botou fogo, sem dúvida. Estupidez muito maior de quem obriga uma associação privada a celebrar algo que vai na direção oposta a tudo que lá se cultiva. Por que o interesse dos homossexuais em casar justamente no CTG? Eles querem o reconhecimento da união deles? O cartório resolve. Querem celebrar, realizar uma cerimônia para que amigos prestigiem? Um salão alugado resolve. Mas não, eles querem casar num Centro de Tradições Gaúchas, onde os valores do "macho" do campo são cultivados desde sua criação. Lugar onde homens e mulheres têm vestimentas adequadas e inadequadas, onde rústicos vaqueiros brasileiros (sim, somos os caubóis do Brasil) se reunem para ouvir música nativa, e nenhuma outra; onde a família tradicional é regra que não admite exceções. Qual o objetivo de pessoas que nada têm a ver com isso eternizarem sua união em algo que lhes é contrário em quase tudo? Só posso achar que é pelo prazer do conflito. Pela soberba de quem tem visto uma patrulha ideológica, do politicamente correto, de dedos acusatórios em todas as direções ("racista!", "homofóbico!", "elite branca!"). E a invasão da esfera privada por uma juíza, que desconsiderou o direito de pessoas com interesses afins, que fundaram um clube, em nome do interesse de um casal de mulheres, é típica de um Estado que diariamente tem apresentado a todos sua própria visão de certo e errado. Claro, o patrão do CTG é político e preside a Câmara de Santana do Livramento. Época de eleição, sabem como é. Ele diz que tem tudo a ver o casamento homossexual no CTG. Topou a ideia da juíza Carine Labres, que ainda mais inteligentemente escolheu a Semana Farroupilha para a tal celebração. Pra mim tudo não passa de afronta, burrice ou vontade de autopromoção. Nesse caso, toda discussão é mera perda de tempo. Encerro com uma frase do poema gaucho Martin Fierro:

"Cada leitão em sua teta: É o modo certo de mamar!"

Mimados

Não gosto do Pondé. Não quer dizer que ele esteja sempre errado. Falou pouco, mas disse tudo:

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Ouro

Achei tão pequena a repercussão de mais um título mundial pro RS que resolvi postar como homenagem à Mayra. Realmente, valor aos bons nesse país é algo que não se dá. Ela é simplesmente a melhor do mundo na atualidade. Ok, posso estar só reclamando sem razão, pois não vejo tv. Mas acho que deveria ter algo nos jornais quase que diariamente, exaltando o feito, mostrando o caminho, fomentando boas ideias nas nossas crianças. Enfim, final do Mundial de Judô 2014 e medalha de ouro pra Mayra Aguiar:

Memória

Felizmente ainda tem gente tentando recuperar a história deste país. O general Mourão, atual comandante do CMS, falou algo que me parece verdadeiro: segundo ele, a verdadeira história da ditadura militar só vai ser contada quando as pessoas envolvidas tiverem morrido. Daqui a algumas décadas, creio eu. Fazendo uma reflexão sobre minhas próprias posições, já apoiei isso. Apoiar não é o mais certo; eu aceitava, como se fosse a resposta adequada para a situação vigente. Criava uma ideia que justificava isso. Contrariamente, a maioria dos abobados que por aí vicejam só repete o que ouve ou lê nos sites de esquerda. Diferente deles, eu tinha boa ideia do que havia acontecido; diferente deles, eu sei o que é o Manifesto Comunista, quem foi Stálin, Lênin, Gramsci. Eu li os programas de governo e as diretrizes do PT. Sei qual a origem do partido. Na verdade, em geral ignoram até mesmo o que seja a Internacional Socialista. Provavelmente, se virem em algum lugar, vão dizer que é invenção da mídia golpista. E quando veem um vídeo como este abaixo, saem logo dizendo algo parecido: ou é invenção da direita, ou ela traiu a causa, se vendeu pro capitalismo, blablablá. Interessante é ver o vídeo completo, que começa com uma narração que destoa absolutamente do conteúdo dos relatos dela. Basta buscar pelo nome dela que tenha a entrevista completa, com 1 hora de duração. Vera faleceu em 2007, recebeu R$ 60 mil por danos morais e materiais e uma pensão vitalícia de 20 salários mínimos.

Pensando bem...

Pensando bem, decidi me afastar do Facebook. Afastar não quer dizer que não vá usar, que dizer ficar mais longe. O fato é que as tais redes sociais têm o mesmo problema que a internet como um todo: funcionam numa velocidade que é muito superior à nossa, com uma dimensão muito maior que a suportada por nós. Somos amassados pela quantidade de informação que é despejada diariamente. Acabamos indo na onda e comentando assuntos com 23 amigos diferentes em um único dia. Às vezes, nos pegamos aferrados a determinada discussão que, pensando bem, nem fazíamos muita questão de ter entrado. O facebook me parece um pouco como se fosse uma mesa de bar gigante, onde todos os nossos amigos estão. E, pra piorar, a maioria levou outros amigos também. Na mesa de bar, quando tem muita gente, naturalmente formamos subgrupos com as pessoas mais próximas, já sentados próximo de quem gostamos mais ou daquelas pessoas com quem pretendemos conversar naquele dia específico. Porque na mesa do boteco não dá pra todos ouvirem e falarem quando tem tanta gente. No facebook dá. E, pior que isso, durante o dia todo. Todos os dias. No fim das contas, é quase como a televisão: as atrações vão chegando, uma atrás da outra, sem nos pedir licença. Dá pra trocar de canal, eu sei; mas não muda nada. Como pretendo ser o timoneiro da minha vida, em vez de ser mero passageiro, não vou deixar uma rede social consumir meu tempo com aquilo que não está estritamente ligado aos meus objetivos presentes. Sim, a internet é viciante, o facebook é viciante, o youtube é viciante, candy crush é viciante, televisão é viciante. O budismo explica isso, a neurociência atual também (budismo é neurociência roots; daqui a pouco eles vão saber quase tanto quanto o mestre Gautama). O segredo, me parece, é clareza de objetivos e simplicidade. Menos é mais, mesmo.
Então o objetivo aqui é o seguinte: publicar pensamentos com uma frequência tão grande quanto o meu tempo permita. O bom do blog(que já tive outras vezes) é que dá pra desenvolver melhor as ideias, a gente cuida um pouquinho mais do texto e, geralmente, são coisas que EU (mestre Gautama acaba de me colocar de castigo) decido publicar baseado naquilo que me é importante no momento. E tudo isso eu faço NO MEU TEMPO. Tem espaço para comentários, para que haja algum debate com os 2 leitores que vou ter. E como o blog é meu, e o facebook é comunitário, se resolver escrever textos gigantes (nos padrões atuais, uma página tem status de livro) ninguém pode achar ruim. Ou pode, mas não vai fazer diferença. Aqui vou clarear minhas ideias, em vez de obscurecê-las. Aos poucos vamos colocando a casa em ordem. Sejam bem vindos.

terça-feira, 9 de setembro de 2014

Aviso

Amanhã (hoje, só que depois de dormir) abrirei os trabalhos neste novo espaço. Até!