sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Mi Buenos Aires querido...

...cada dia mais vai pro brejo. Ontem foi aprovada a tal "Lei de abastecimento", que nada mais é que o último ato de um governo com caráter socialista, totalmente na prática a partir de agora. A lei dá poderes ao Executivo para definir limites de lucro, de preço, de cotas de produção, dá poderes para o governo suspender ou mesmo fechar estabelecimentos. A Venezuela começou da mesmíssima maneira, e sabemos no que deu. Por que o governo fez isso? Acredito que, principalmente, para passar para o povo a impressão de que a culpa da inflação alta é do empresariado. Eles têm passado a imagem de que os preços altos são culpa da ganância dos empresários e, limitando os lucros, eles resolveriam isso. É fácil, muito mais fácil que explicar pro povo os fundamentos da economia. As reiteradas ações do governo têm afastado os investimentos da Argentina (e a bronca com o dólar é uma das principais) e, agora, é o ato final para que os empresários fujam da Argentina. Quem vai arriscar seu patrimônio para ter uma margem de lucro definida arbitrariamente pelo governo?

Nesse contexto, muitas coisas que acontecem no Brasil podem ficar mais claras. A atualmente tão falada autonomia do BC, que o governo dos ladrões teima em dizer que é algo demoníaco, é um exemplo. Los hermanos tinham um BC autônomo. O que aconteceu? Quando, em 2010, o então presidente do banco começou a dificultar o uso das reservas pelo governo, a ditadora deu um jeito de acabar com a autonomia. Agora o BC serve aos descalabros do governo, com reservas cada dia mais baixas, emissão contínua de dinheiro(inflação, no português), descontrole fiscal. O atual presidente do banco tem criticado sistematicamente as ações do governo, mostrando que tais ações implicam a impossibilidade de recolocar a economia nos eixos. De maneira que o gurizinho da Kirchner, o tal Kicillof, quer derrubar ele imediatamente. A briga está feia, pois o presidente do BC tem feito críticas severas e abertas ao ministro da Economia, inclusive em reuniões com empresários, banqueiros e políticos. 

E assim nós vamos, rumo a uma América Latina bolivariana por inteiro.

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