Sempre que vejo um discurso antiamericano - e tá aí uma coisa que temos sobrando no Brasil - me lembro d'A Vida de Brian, uma obra-prima dos ingleses do Monty Python. Depois de ver que nossa anta, digo, presidenta, criticou os ataques americanos ao Estado Islâmico (aquele povo ponderado que arranca cabeças quando não tem nada melhor pra fazer), lembrei do Brian. Se A Vida de Brian não é a melhor comédia de todos os tempos, tenho certeza de que deveria figurar na lista das 3 mais. Sempre. Brian nasce numa manjedoura, no mesmo dia e hora, e ao lado daquela onde nasceu Jesus Cristo. Desde o nascimento ele é confundido com o messias, e por isso é perseguido desde então. Humor inteligente desde 1979. Pois bem, mas falávamos dos yankees. Sim, eu também já falei um monte de bobagens, mesmo ouvindo rock, vendo filmes de Hollywood, comendo no McDonalds e usando a internet (com exceção do lanche horrível, sigo fazendo todas as outras coisas). A campanha permanente de depreciar os americanos-imperialistas-capitalistas-filhos-da-mãe é muito eficaz. Não que eles sejam perfeitos; as críticas têm lá o seu lugar. O problema é quando a coisa passa dos limites do ridículo, e tu tens um esquerda caviar(achei muito adequada a nomeclatura) teclando do seu iPhone, acessando o Facebook pela internet, usando seu Nike e ouvindo hip-hop(que é tão ruim ou pior que o funk carioca).
Eis que o Brian, como contemporâneo de Jesus, vive o início da dominação romana, com toda a revolta dos dominados. Diversos grupos revolucionários, que pretendem atacar os romanos, aparecem no filme. Em uma das reuniões, e aí reside a lembrança que me fez escrever, um dos líderes (tal e qual a Luciana Genro ou qualquer outro abobado líder esquerdista) pergunta: O QUE NOS DERAM OS ROMANOS? Abaixo o vídeo (não achei dublado ou legendado) e a transcrição do diálogo. Qualquer semelhança é mera coincidência:
— Já nos sangraram, os bastardos. Já nos tomaram tudo o que tínhamos. E não só de nós. Dos nossos pais e dos pais dos nossos pais.— E dos pais dos pais dos nossos pais.— Sim…
— E dos pais dos pais dos pais dos pais…
— Certo, Stam. Não precisa insistir. E o que eles nos deram em troca?
— O aqueduto.
— Como?
— O aqueduto.
— Oh, sim, sim. Eles nos deram isso, é verdade.
— E o saneamento.
— Ah, é, saneamento, Reg! Você lembra como a cidade era…
— Certo. Eu concedo que o aqueduto e o saneamento são duas coisas que os romanos fizeram.
— E as estradas.
— Bem, e obviamente as estradas. Nem era preciso falar disso. Mas fora o saneamento, o aqueduto e as estradas…
— A irrigação.
— A medicina.
— A educação.
— A Saúde.
— Tudo bem, já chega!
— E o vinho.
— Ah, é… É verdade. Isso é algo que vai nos fazer falta se os romanos forem embora, Reg…
— Casas de banho públicas.
— E agora é seguro andar nas ruas à noite.
— Ah, sim, os romanos certamente sabem manter a ordem. Vamos reconhecer: são os únicos que poderiam fazer isso num lugar como esse.
— Tudo bem, tudo bem, mas fora o saneamento, a medicina, a educação, o vinho, a ordem pública, a irrigação, as estradas, o sistema de água e a saúde pública, o que os romanos fizeram por nós?
— Trouxeram a paz!
— O quê? Oh… Paz? Sim… Cale-se!
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