O Brasil é um país muito doente. Engraçado que desde sempre eu vejo isso, mas parece que pouca gente se dá conta. Ou a maioria sabe, mas prefere fingir não saber.
Essa semana tivemos duas notícias envolvendo taxistas em Porto Alegre. Numa delas, um bando de taxistas enfurecidos tentava invadir um estacionamento após um funcionário do local solicitar a retirada de um táxi que obstruía a entrada. Barras de ferro, agressões e vandalismo. Light, perto da outra. Três taxistas teriam matado a tiros outro motorista. Possivelmente por discussão de trânsito. Sinceramente, duvido que tenha sido isso, mas não faz diferença. Taxistas são, basicamente, funcionários públicos. Em Porto Alegre, no entanto, não passam de uma associação de criminosos. A cidade fica refém e ninguém faz nada. Em qualquer lugar minimamente civilizado, as concessões seriam cassadas e os responsáveis responderiam judicialmente. Por aqui, teremos sorte se algo acontecer aos motoristas; aos concessionários, não esperem punição alguma. Parece Taxi Driver, mas sem a loucura e motivação (muito menos o talento do De Niro) de Travis Bickle. You talkin to me?
Na zona sul da cidade, um engenheiro supostamente embriagado evitou uma abordagem da Brigada Militar na madrugada, após cruzar um sinal vermelho em alta velocidade. Fugiu e teria tentado furar uma barreira montada alguns quilômetros adiante. Num provável erro de atuação, um policial atirou e matou o motorista, sob a alegação de que ele teria sido atropelado caso não atirasse. Ok, podemos e devemos questionar a ação policial. É provável que tenham errado? É. Mas ao engenheiro, que fugia, foi dado o papel exclusivo de vítima. Em que lugar do mundo as pessoas fogem da polícia, tentam furar uma barreira policial e todo mundo acha isso normal? Deve ser pelo fato de serem incomuns as notícias onde um motorista embriagado atropela e mata várias pessoas, ou colide contra outro veículo e mata ou incapacita alguém. Por isso ninguém condena o motorista fujão...
Pra piorar, a Zero Hora coloca a machete dizendo que o engenheiro foi assassinado. Vou ao Houaiss e vejo que talvez a palavra assassinato não esteja tão mal colocada. Mas será que só eu tenho a impressão de que chamar o policial de assassino é o mesmo que dizer que ele matou porque quis? Quer dizer, é um psicopata, segundo a manchete. E burro, porque com tanta gente pra matar, tanto vagabundo dando sopa, o PM vai ter tara de matar engenheiro de família com grana. Acho que não ocorreu exatamente assim...
Todo mundo sabe que as crianças aprendem cada vez menos, que a educação está debaixo do fundo do poço, que são basicamente analfabetos. Ninguém parece dar bola. Claro, a menos que apreça alguém com câmera e microfone. Aí todos ficam indignados. Mas vá a uma escola e veja como é quando um professor ousa reprovar um aluno. Ou simplesmente chamar-lhe atenção para um mau comportamento.
A lista é quase infinita; dá pra seguir exemplificando comportamentos hipócritas, imorais, absurdos...Todo mundo vê, mas prefere fingir que nada acontece.
Deitado eternamente em berço esplêndido...
Espero que isso não tenha sido uma praga. Até agora, tem sido.
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